Está por aí uma encarniçada discussão a respeito da resolução 499, do Conselho Federal de Farmácia, a respeito da prestação de serviços por farmácias e drogarias. Ali, além da aferição da pressão sanguínea, temperatura, e colocação de brincos e piercings, há a possibilidade de realizar exames de glicose, colesterol e triglicerídeos (os dois últimos, ao que parece, suspensos).
Pessoalmente, considero esta medida extremamente temerária. Não é de hoje que as farmácias deixaram de ser equipamentos de saúde e se tornaram comércio, dos mais prostituídos. Não é de hoje que praticamente não se encontram farmacêuticos preparados em farmácias (quando se encontram farmacêuticos). Hoje, o setor está dominado pelos empresários leigos e por profissionais que somente tentam se segurar no emprego de "assinar uma farmácia", de longe deixando de exercer sua função (o que em muitos casos nem se sabe ao certo do que se trata). Há honrosas exceções, mas o que mais se vê no mercado é uma assombrosa combinação entre desinformação e comércio ferino, o que só faz aumentar a automedicação, o uso incorreto de medicamentos, a empurroterapia, etc.
Imagine tudo isso, se na própria farmácia se puder fazer, de modo irresponsável (por exemplo, quando não houver farmacêutico presente), determinações que podem auxiliar no intento de se empurrar um medicamento? Ora, se em laboratórios, já é possível errar nestas determinações, o que dizer em um ambiente e um negócio que não foram concebidos para isso? Como será o controle? Como se emitirão os laudos? Qual o grau de confiabilidade dos testes?
Entendo que teoricamente, isto pode funcionar, mas, intimamente sei que está se encaminhando mais um desastre. Por outro lado, deve-se salientar que esta resolução é extremamente positiva no que tange a outras decisões, como a de prestação de serviço domiciliar farmacêutico, e outros, como avaliação da farmacoterapia indicada ao paciente, e aplicação de injeção e nebulizações, por exemplo.
Maurício Pacheco de Andrade
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