labbrasil é um blog para indicar recursos úteis no cotidiano de profissionais de laboratório clínico.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
A Sarcosina e o Câncer de Próstata
Ao procurar maiores referências na internet, encontram-se textos instigantes a respeito de como foi conduzido o estudo, e o que os resultados significam, e especialmente, a matéria original, que dá uma dimensão maior à leitura. A reportagem de Veja foi atualizada, bem direcionada, e superficial. Esta superficialidade não é necessariamente perniciosa: textos muito elaborados são em geral enfadonhos, espantando o leitor. Contudo, ao publicar uma matéria baseada em uma reportagem, e ao citar inclusive um dos autores do estudo, Christopher Beecher, seria no mínimo correto ter feito a citação do estudo publicado na nature, o que permitiria ao leitor ter acesso mais facilitado a maiores informações.
De uma revista de alcance público não se espera maior aprofundamento de uma matéria como esta, mas a falta de citação do artigo gerador da matéria torna seu relato incompleto.
Veja a matéria da Folha sobre o assunto, no dia da publicação da Nature: Urina pode indicar fase de câncer de próstata
Ali tem, inclusive, um texto mais elaborado tratando de descrever a metabolômica, espetacular ramo da ciência baseado em laboratório, que promete muito avanço na compreensão das doenças, bem como sua prevenção, diagnóstico e tratamento. Os frutos da metabolômica já estão sendo colhidos.
Toda esta movimentação científica faz crer que, em um futuro não muito distante, um laboratório clínico vai oferecer uma lista diferente de exames de bioquímica clínica básica. Vejamos o estudo acima: nele foram utilizadas 110 amostras de sangue, 110 amostras de urina, e 46 amostras de tecido porstático. Nelas, foram analisadas em torno de 1100 diferentes produtos metabólicos, de onde se destacaram 10 compostos mais presentes em amostras provenientes de pacientes com câncer de próstata. Destes, a sarcosina foi apontada como o marcador mais promissor de doença, por se apresentar elevado em um tipo de amostra não invasiva, a urina.
A partir disto, realizaram mais investigações utilizando a sarcosina, inclusive com a comprovação de que linhagens celulares cancerosas depletadas da enzima glicina-N-metil transferase, que converte a glicina em sarcosina tinham sua capacidade de invasão atenuada. Por outro lado, a adição de sarcosina, ou bloqueio da enzima que a degrada, o que aumentaria sua concentração no meio, induzia ao desenvolvimento de características de agressividade, mesmo em linhagens celulares prostáticas benignas.
A confirmar o achado, este será um marcador urinário incorporado à rotina clínica, desde que duas condições ocorram: capacidade metodológica de detecção de moléculas pequenas, e condição pré-analítica de tratamento de amostras, já que as concentrações podem estar sujeitas a uma série de fatores relacionados à estabilidade do analito na amostra, bem como a redução de possíveis interferentes às reações, já que a urina apresenta composição extremamente variável entre diferentes indivíduos.
Dê uma olhada em um laudo exemplo do laboratorio Metametrix, com um exemplo de laudo metabolômico. Este é o resultado de um exame cuja maioria das informações não tem sentido aparente, e é provável que os avanços metabolômicos indiquem analitos para serem avaliados individualmente em situações clínicas distintas.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Livros para Download
Mais um endereço útil: trata-se do Laboratório Clinico, um blog que disponibiliza livros da área de laboratório para baixar na internet, pelo rapidshare. O blog é meio confuso, não consegui achar o autor, mas a visita vale a pena. Lá, você pode achar livros sobre microbiologia, histologia, biosegurança, hematologia e outros.
Bom final de semana.
Biologia Molecular
Encontrei este ótimo texto da Medical Laboratory Observer, uma visão geral de como funciona um Lab de Biologia Molecular, apontando suas diferenças de um laboratório "comum". Para quem se interessa pelo assunto, um texto leve, bastante interessante. É em inglês, mas vale a visita.
Bom final de semana
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Cálculos em Medicina
Bom final de semana!
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O uso de statinas pode interferir nos valores de PSA
Abaixo o resumo, mas você pode baixar o artigo na íntegra, em PDF, aqui.
Aí está um bom desenho de estudo para se aplicar nos dados de nossos laboratórios.
The influence of statin medications on prostate-specific antigen levels.
Division of Urologic Surgery, Department of Surgery, and the Duke Prostate Center, Duke University School of Medicine, Durham, NC 27710, USA.
BACKGROUND: Recent data suggest that statin use may be associated with a reduced risk of advanced prostate cancer. However, the influence of statins on prostate-specific antigen (PSA) levels and what effect this could potentially have on prostate cancer diagnosis are unknown. METHODS: We conducted a longitudinal study of 1214 men who were prescribed a statin between 1990 and 2006 at the Durham Veterans Affairs Medical Center who were free of prostate cancer, had not undergone prostate surgery or taken medications known to alter androgen levels and who had at least one PSA value within 2 years before and at least one PSA value within 1 year after starting a statin. The change in PSA from before to after statin treatment was analyzed as a continuous variable using the Wilcoxon signed rank test. The association between change in PSA and change in cholesterol parameters (low-density lipoprotein [LDL], high-density lipoprotein [HDL], and total cholesterol) was analyzed using multivariate linear regression. All statistical tests were two-sided. RESULTS: Mean (SD) age when starting statins was 60.3 (8.3) years; median prestatin PSA concentration was 0.9 (1.9) ng/mL; and mean prestatin LDL cholesterol concentration was 144 (34) mg/dL. After starting a statin, the median LDL decline was 27.5%, and the median PSA decline was 4.1% (P < .001, for both comparisons). Changes in PSA concentration were strongly associated with statin dose and changes in LDL levels. For every 10% decrease in LDL after starting a statin, PSA levels declined by 1.64 (95 % confidence interval [CI] = 0.64% to 2.65%, p = .001). Among men most likely to be under consideration for prostate biopsy (prestatin PSA levels > or =2.5 ng/mL, n = 188), those with >41% declines in LDL (highest quartile) after starting a statin experienced a 17.4% (95% CI = 10.0% to 24.9%) decline in serum PSA. CONCLUSIONS: PSA levels declined by a statistically significant extent after initiation of statin treatment. The reduction was most pronounced among men with the largest LDL declines and those with PSA levels that would make them candidates for prostate biopsy. By lowering PSA levels, statins may complicate cancer detection, although further studies are needed to quantify the clinical significance of this effect.
PMID: 18957682 [PubMed - indexed for MEDLINE]
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Deu na SBPC
Trata-se de um belo material, a ser visto por qualquer interessado no assunto de Tratamento de Não Conformidades, em laboratórios clínicos. Parabéns às autoras.
Deu no New York Times...
O esforço laboratorial atual tem sido cada vez mais influenciado por fatores extra-analíticos. Assim, a análise retrospectiva dos dados provenientes do "mundo real" pode efetivamente produzir conhecimento útil, como no estabelecimento de valores de referência, na análise do comportamento cronobiologico de resultados de pacientes, na melhoria do controle objetivo da qualidade dos processos, e finalmente como padrão de auditoria dos processos.
No blog ipathology (http://www.ipathology.com/ipathology/), Anthony Killeen dicute sobre esta coincidência, baseado em dois editoriais: Annals of Clinical Biochemistry (46) 1-2, 2009; e Clinical Chemistry (55:15-17, 2009).
Além disso, outro editorial do Advance for Administrators of the Laboratory, discute a respeito dos usos administrativos do uso de data mining para aperfeiçoamento dos processos laboratoriais.
Um artigo interessante publicado na Clinical Chemistry trata da variação sazonal de resultados de PCRus em uma população, significativa do ponto de vista clínico, apontando uma amplitude média (variação em relação à média) de 0.16 mg/L durante as estações do ano. Desta forma, segundo os autores, houve um aumento de 20% no percentual de participantes classificado como pertencentes à categoria alto risco (maior ou igual a 3 mg/L) durante o final do outono e início do inverno. Este foi um estudo com 534 adultos "saudáveis".
Fico feliz, porque isso coincide com alguns trabalhos desenvolvidos nesta área especificamente, como na análise cronobiológica de resultados gerais de pacientes, e avaliação de valores de referência.
Aí vão alguns, apresentados no 20 IFCC WorldLab, de Fortaleza, todos realizados no Laboratório Alvaro:
EVALUATION OF CIRCASEPTAN RHYTHMICITY IN SERUM CHOLESTEROL, GLUCOSE AND TRIGLYCERIDE LEVELS, IN ADULT POPULATION OF SOUTH OF BRASIL
A PROPOSED DATA STRUCTURE FOR APPLICATION IN INVESTIGATION OF ANALYTICAL PROCESSES IN CLINICAL LABORATORIES
Outra hora disponibilizo os conteúdos,
Um abraço
Maurício Pacheco de Andrade
PS: Faço tributo ao meu pai, Eneo Pacheco de Andrade, bioquímico por mais de 40 anos, que faleceu em 12 de janeiro último, em sua cidade, Lages (SC). Bom sujeito, bom pai, honesto, e sobretudo, apaixonado pelo seu trabalho. Deixa muitas saudades.